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Comer fora ou encomendar para casa: o que sai mais barato

A intuição diz que encomendar sai sempre mais caro. Às vezes sai, às vezes não. A conta do restaurante tem o couvert, a bebida que custa o dobro à mesa, a gorjeta e o parquímetro; a da entrega tem as taxas e uma ementa que costuma ser mais cara na app. A resposta certa depende de quem come, do quê e de como chega lá.

Porque é que a comparação de cabeça engana

Quando se compara "comer fora" com "encomendar", a tendência é pôr lado a lado o preço do prato na ementa do restaurante e o total da app. Assim, a entrega perde quase sempre. Só que essa comparação deixa de fora metade da conta do restaurante, precisamente a parte que não aparece na ementa.

Não vamos usar médias de mercado para resolver a questão, porque uma média mistura o almoço de segunda com o jantar de sábado, uma pessoa sozinha com uma família, o prato do dia com o leitão. Para decidir no seu caso, é melhor montar a conta à sua maneira, com tudo o que entra de cada lado.

E compare sempre o custo por pessoa, não o valor da encomenda contra o valor da conta. Uma encomenda pode alimentar uma pessoa ou uma casa inteira, e só o valor por cabeça diz qual das opções compensa.

O que entra na conta do restaurante

À mesa, o preço do prato costuma ser mais baixo do que na app, porque não há comissão de plataforma. Mas aparecem outros custos. O couvert, com o pão, a manteiga e as azeitonas que chegam antes de pedir e que se pagam se lhes tocar. A bebida, que à mesa custa bem mais do que no supermercado e que dificilmente dispensa. O café no fim, quase obrigatório. E a gorjeta, que em Portugal é opcional e não vem incluída na conta, mas que muita gente deixa quando o serviço foi bom.

Depois, a deslocação: combustível, parquímetro ou parque de estacionamento, ou o bilhete de metro e de autocarro, ida e volta. Numa cidade com estacionamento caro, só isso pode passar a taxa de entrega. Estes custos não aparecem na conta do restaurante e, por isso, ficam de fora da comparação que se faz de cabeça.

O que entra na conta da entrega

Na entrega, o prato costuma custar mais do que na sala, porque o restaurante passa para o preço parte da comissão da app. Junta-se a taxa de entrega, às vezes uma taxa de serviço e, se quiser, a gorjeta ao estafeta. Em contrapartida, a bebida pode vir do seu frigorífico, não há couvert, não há café de 1 € a multiplicar por quatro e não há estacionamento.

Um exemplo hipotético para duas pessoas. Na entrega: dois pratos de 12,50 €, taxa de entrega de 2,50 € e taxa de serviço de 0,99 €, total de 28,49 €, com a bebida que já estava em casa. No restaurante: dois pratos de 11 €, couvert de 2,50 €, duas bebidas de 2,50 €, dois cafés de 1 € e 2 € de gorjeta, total de 33,50 €, mais 3 € de parquímetro. Neste caso, encomendar sai cerca de 8 € mais barato. Mude uma variável (vá a pé, recuse o couvert, beba água da casa) e o resultado inverte-se.

O artigo sobre taxa de entrega e taxa de serviço explica em pormenor cada custo escondido da encomenda.

Quando ganha cada um

O restaurante ganha quando está perto e vai a pé, quando o prato perde muito na viagem e quando a ida é o programa, e não só a comida. A carne na brasa é o exemplo clássico: o bife que sai da grelha diretamente para o prato não chega igual depois de vinte minutos numa caixa. A massa fresca também sofre. No catálogo fictício do SemFood, casas como O Talho & a Brasa, com carnes maturadas na câmara da casa e cortadas à medida, ou o Il Mattarello, que estende a massa à mão todas as manhãs, são do tipo que se aproveita melhor sentado à mesa.

A entrega ganha quando o grupo é grande e toda a gente pediria entrada e bebida na sala, quando a deslocação é cara, quando o prato viaja bem (pizza, frango, bifanas, prato do dia) e quando o que quer mesmo é ficar em casa. O frango de churrasqueira ao domingo é o caso típico: viaja bem, dá para a família inteira e muita gente nem o encomenda, vai buscá-lo em take-away, como no fictício Churrasco do Albino, com fila à porta e batata frita em saco de papel. O tempo e o descanso também têm valor, mesmo que não apareçam na conta.

Cozinhar em casa ganha às duas quase sempre no preço. A comparação justa, para quem quer poupar, raramente é entrega contra restaurante: é qualquer uma das duas contra a cozinha lá de casa.

Faça a sua conta

Para saber quanto o hábito de encomendar pesa no seu mês, ponha a frequência e o valor no Poupançómetro. Se a resposta for maior do que gostaria, o guia de como gastar menos em entregas de comida mostra onde mexer primeiro.

E se parte da graça de encomendar for escolher entre a churrasqueira e a cozinha italiana, pode fazê-lo no SemFood sem gastar: a encomenda é simulada da ementa ao estafeta no mapa, e nada é cobrado nem entregue. Os restaurantes estão todos lá.

Encomendar comida é mais caro do que comer no restaurante?

Depende. O prato costuma ser mais caro na app e há taxas, mas o couvert, as bebidas, o café, a gorjeta e o estacionamento podem inverter a conta. Compare o custo total por pessoa.

Porque é que o prato é mais caro na app do que no restaurante?

Porque o restaurante paga uma comissão à plataforma por encomenda e costuma passar parte desse custo para o preço da ementa na app.

Em Portugal a gorjeta é obrigatória?

Não. A gorjeta é opcional e não vem incluída na conta. Mesmo assim, se costuma deixá-la, deve entrar na comparação.

O que sai mais barato de tudo?

Cozinhar em casa, na maioria dos casos. A comparação entre entrega e restaurante interessa mais a quem já decidiu não cozinhar.