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O que é uma app de dopamina (e porque é que a palavra pegou)

App de dopamina é a alcunha de uma aplicação que dá a sensação de uma coisa sem a coisa: o carrinho cheio sem a compra, a encomenda sem a conta. A expressão veio da internet, é mais metáfora do que ciência, e descreve bem um tipo de produto que cresceu nos últimos anos.

A definição sem rodeios

Uma app de dopamina é uma aplicação cujo produto é a sensação de fazer alguma coisa, e não o resultado. Percorre o ritual inteiro (escolher, montar, confirmar, acompanhar) e a parte que normalmente custa dinheiro ou esforço simplesmente não acontece.

O exemplo mais comum é o das compras: a aplicação deixa-o encher o carrinho, finalizar a compra e receber a confirmação, sem que nada seja cobrado. O SemFood é a versão disto para as entregas de comida. Encomenda, acompanha o estafeta no mapa, recebe a notificação de entrega, e nada é cobrado nem entregue.

O termo aparece escrito de várias formas. "Dopamine app" em inglês, "app de dopamina" ou "site de dopamina" em português, e até "dopanime", um erro de escrita que acabou por pegar. Todas falam da mesma ideia.

Porquê dopamina, e o que a palavra quer dizer aqui

A dopamina é uma substância que o corpo produz e que a cultura pop associou à recompensa e ao prazer. Nos últimos anos a palavra virou calão: fala-se em "dose de dopamina" para qualquer pequena alegria, de uma notificação a uma encomenda que chega.

É nesse sentido popular que o nome é usado. Ninguém está a fazer uma afirmação científica sobre o que acontece no seu cérebro quando abre uma aplicação. "App de dopamina" quer dizer, simplesmente, "app que dá aquela sensação boa". Por isso, desconfie de qualquer aplicação que use o termo para prometer tratar ansiedade, compulsão ou vício. Uma app de dopamina honesta não promete isso, e o SemFood não promete.

A palavra pegou porque dá nome a algo que muita gente sentia e não sabia descrever: a satisfação de quase comprar, de quase encomendar, de chegar até ao último botão. Antes dela, isto era "ver montras" ou "encher o carrinho". Com ela, passou a ser uma categoria, e uma categoria permite que alguém construa um produto pensado para isso, em vez de um hábito improvisado em aplicações que foram feitas para cobrar.

De onde veio a ideia

Muito antes do nome, as pessoas já faziam isto por conta própria. Encher o carrinho de uma loja online e fechar o separador. Guardar dezenas de produtos numa lista de desejos que nunca se transforma em compra. Decorar a casa dos sonhos num jogo de simulação. Abrir a app de entregas só para ver.

O que estes comportamentos têm em comum é que a parte prazerosa acontece antes do pagamento: na escolha, na antecipação, na imaginação do que vem aí. A compra em si, e sobretudo o débito no cartão, é a parte menos divertida. As apps de dopamina pegaram nesse hábito espontâneo e transformaram-no num produto, com princípio, meio e fim.

Nas entregas de comida isto fica ainda mais claro, porque a encomenda tem um guião longo: restaurante, ementa, carrinho, checkout, preparação, estafeta a sair, estafeta a chegar. Cada etapa é um pequeno acontecimento. O artigo sobre o jogo de encomendar comida explora porque é que esse guião sabe tão bem.

Como reconhecer uma app de dopamina honesta

Diz que é simulada, e di-lo cedo. Não pode haver dúvidas sobre se alguma coisa vai ser cobrada ou entregue. No SemFood, a pergunta aparece antes de cada encomenda, não escondida nos termos de utilização.

Não pede dados de pagamento de que não precisa. Um campo para número de cartão numa app de compras fictícias é um convite para alguém escrever lá um cartão verdadeiro. Se a app quer o seu cartão para uma compra "a fingir", desconfie.

Não usa marcas reais. Um restaurante fictício com o nome de uma cadeia conhecida confunde e engana. No SemFood, todas as casas são inventadas.

É clara sobre o que se paga. Se existe assinatura, ela compra funcionalidades da aplicação, e isso tem de estar escrito. Nos planos do SemFood fica explícito que nenhuma encomenda é cobrada em nenhum plano.

Experimente antes de formar uma opinião

A ideia soa estranha descrita por escrito e faz sentido em dois minutos de utilização. O plano grátis do SemFood tem, em Portugal, uma cota de 30 € de gasto fictício por dia, que chega para encomendar uma refeição completa e acompanhar a entrega inteira no mapa.

Para pôr a vontade em perspetiva, veja no Poupançómetro quanto as entregas a sério lhe custam por mês ao seu ritmo. Depois, dê uma volta pelos restaurantes fictícios do SemFood e veja como é uma ementa feita para ser desejada, não paga.

O que significa app de dopamina?

É uma aplicação que dá a sensação de fazer alguma coisa, como comprar ou encomendar comida, sem a parte que custa. No SemFood faz uma encomenda inteira e nada é cobrado nem entregue.

Dopamine app, dopanime e app de dopamina são a mesma coisa?

Sim. São maneiras diferentes de escrever a mesma alcunha; "dopanime" é um erro de escrita que acabou por se espalhar.

Uma app de dopamina faz bem à saúde?

Não é um produto de saúde. "Dopamina" é usada como metáfora popular para uma sensação boa. Uma app destas não trata ansiedade, compulsão ou vício, e não deve ser usada como tratamento.

Uma app de dopamina é burla?

Não tem de ser. Uma app honesta diz claramente que tudo é simulado, não pede cartão para compras fictícias e explica o que se paga, se alguma coisa se paga. Desconfie de quem esconde estas informações.